Quarta-feira, 8 de Setembro de 2010
TRIBUNA - Tenente, como você vê o handebol nos dias de hoje?
Tenente - O handebol continua sendo um dos principais esportes olímpicos, praticados quase em todo o mundo, tendo sua força na Europa, e que continua sendo a grande escola deste esporte.
É importante lembrar que o handebol evoluiu muito em nosso país, pois hoje existe um maior intercâmbio com a Europa, e por este motivo nos tornamos o melhor handebol das Américas. No feminino não temos nenhum adversário à altura e no masculino deixamos Cuba para traz. Hoje temos a Argentina como um dos nossos maiores adversários no momento, principalmente no masculino.
Mas infelizmente ainda não é o suficiente para podermos confrontar com os países europeus, onde acredito que a política empregada pela confederação não vem dando bons resultados mesmo em um momento propício.
TRIBUNA - O que falta para o handebol emplacar em nosso país?
Tenente - Apesar de vários fatores fazerem com que o handebol não tenha uma maior visibilidade em nosso país, tenho a convicção de que o maior problema é a gestão da confederação e das próprias Federações, pois estamos com uma boa parceria no momento de uma grande estatal, mas o trabalho realizado pela confederação que não consegue organizar as seleções nacionais, e que ao mesmo tempo também não prestigia os clubes, que na verdade são a grande fonte de renovação que qualquer esporte pode ter.
Por isso, vejo a necessidade de que a confederação faça uma reavaliação, em todo este processo de marketing, formatação do trabalho das seleções e competições em que os clubes sejam prestigiados, dando facilidades para que estes possam participar das competições de nível nacional. Hoje fica inviável pelos custos para alguns estados como o Rio de Janeiro.
TRIBUNA - E em relação à Federação do Rio?
Tenente - Tivemos neste ano a mudança na direção da federação depois de muitos anos como a mesma gestão. A situação estava se tornando caótica, e por isso, estamos nos movimentando juntamente com a nova gestão, no sentido de darmos inicialmente um novo sistema de integração entre os clubes, além de estarmos discutindo meios para organizarmos nossas competições de uma maneira menos dispendiosa, e com mais atrativos. Vejo também a principal necessidade da federação em agir de forma para que comecemos a difundir o handebol pelo interior do estado e criarmos um mecanismo de promoção de eventos, que atraiam um público ainda distante do handebol.
TRIBUNA - O que você acha que facilitaria a massificação do esporte no Brasil?
Tenente - Como disse anteriormente, precisamos de reestruturação interna. Mas o grande fator para este esporte que já é praticado por um grande contingente de adeptos em nosso país, e para que ele possa ter a evidência condizente com este número, é uma mídia a realização de eventos bem elaborados, para que com este processo não atraiamos somente os já apaixonados pelo desporto, mas sim uma nova massa de espectadores que com o primeiro contato com este esporte com certeza também se apaixonará pelo mesmo.
O Brasil em 2006 sediou no Rio, Copacabana, o mundial de Beach Handball, e conquistamos tanto o título no feminino quanto no masculino, já neste ano, acabamos de conquistar na China o bicampeonato no masculino, e nem uma nota foi mencionada nas emissoras abertas sobre a conquista. E para lembrarmos mais um fato, no Pan do Rio, o handebol foi o único esporte coletivo a conquistar as duas medalhas de ouro nos jogos, e isso foi muito pouco mencionado, perdendo até para a repercussão da perda do vôlei feminino.
TRIBUNA - O que você acha da mídia esportiva do país?
Tenente - Bom, sabemos que estamos no país do futebol, pentacampeão mundial e que enche de orgulho e ameniza o sofrimento de nosso povo, temos o vôlei que também nos enche de orgulho. Esses são os esportes dominantes na maior emissora do país, mas acho injusto não só com o handebol, mas com todos os esportes a existência de interesses comerciais, que fazem com que poucos esportes tenham espaço que merecem.
É por isso que necessitamos que o COB juntamente com o Governo Federal, mais especificamente o ministério dos Esportes, crie uma lei em que todos os esportes olímpicos do Brasil tivessem espaço jornalístico em todos os programas esportivos semanalmente, quinzenalmente ou mensalmente, de acordo com apelo do esporte, tanto na TV aberta quanto na fechada.
TRIBUNA - E a política no esporte?
Tenente - Tenho a certeza que tudo que fazemos seja política das formas mais variadas possíveis, mas é preciso fazer com que o poder público veja no esporte uma ótima forma de divulgação de “vossa cidade”, criando condições básicas para atrair parceiros e atletas que queiram fazer com que determinado esporte se expanda e com resultados positivos ganhe espaço na mídia local, estadual e até nacional.
TRIBUNA - O que você pensa em fazer para revitalizar o esporte em nossa cidade?
Tenente - Estamos iniciando o primeiro polo dentro do Magnólia, onde o projeto desenvolvido pelo Instituto FRAN, denominado Geração Vida, além de trabalhar com diversas modalidades onde também implementará o handebol como uma destas modalidades, com uma visão de integração social, e que automaticamente dará novas perspectivas para estas crianças, além de cultivarmos novos talentos para os desportos.
Já em relação às equipes do clube, estamos começando a preparação para os estaduais de 2010, onde o Magnólia deverá participar nas categorias juvenil e cadete, onde formatamos uma equipe multidisciplinar, que está dando grande suporte ao trabalho.
Quanto aos eventos, teremos o desafio master Rio x São Paulo em novembro, estadual da região serrana, organizada pela federação, onde também realizaremos o handebol de três, com intuito de um grande congraçamento entre os vários atletas de handebol do presente e do passado de nossa cidade. Para fecharmos o ano do handebol, já para o ano como preparação para os estaduais, estaremos indo no mês de janeiro para Itajaí/SC. Além da VI Copa Petrópolis, onde traremos treinamentos das seleções do estado e do Brasil para a cidade, a fim de desenvolver o esporte em nossa cidade com clínicas específicas, além de um curso de arbitragem para a cidade.
TRIBUNA - Como você vê os Jogos Olímpicos no Rio em 2016?
Tenente - Acredito que teremos grandes benefícios por esta conquista, mas é importante que tenhamos muita transparência e profissionalismo na organização, pois temos as três etapas que envolvem este projeto que são: o antes, o evento em si e o depois, que no caso este último é de fundamental importância, pois é fundamental que fique um grande legado para a gestão de um projeto olímpico constante.
Já para o handebol é o grande momento que precisávamos para que possamos investir de forma profissional e fazer com que além de ganharmos evidência, conquistemos bons resultados, pois temos não só seis anos, mas é importante lembrar que em dois anos teremos os Jogos Olímpicos em Londres, e acredito que temos estas olimpíadas para o handebol com uma visão de renovação visando os jogos no Rio em 2016.